Pra buscar algum porquê de fazer teatro, por que ficar sem o fazer não tem por que, nem da, nem seria possível evitar. Pra rir e pra chorar, para chorar de rir e rir por não poder mais chorar. Tente, tente, tente e uma hora sai. E assim vai, e assim vai. Às vezes cai, mas mesmo assim vai. E se é teatro, esperamos que seja, que seja música. Poesia, prosa, e um tanto de qüiproquó. Mas que depois do balacobaco, fica um tanto brechtiano, e no final a Mãe Coragem tira os pães do forno e está pronto. É hora da ceia, do recheio, do centeio do pão. De dividir o gole do gole de uma gota de um pouco do que a gente viu. E descobriu e quer contar. Gole de vinho sem álcool, porque Dionísio nos fez descer do salto. Se vão rir ou chorar, a gente já viu, já sentiu e quer mais. E no final (do ponto do ônibus) a gente pega o caminho mais longo só pra conversar... E a gente fala, e como fala. Arte do ator, arte da palavra à toa. Mas numa boa, é fim, finito, Zé fini, o Zé feito Severinos como outros na vida, pelos quais a gente grita, e grita, e grita (e quando sobra prosa no encalço, canta). É hora da janta e não tem bóia. Mas uma hora vai ter. Vocês vão ver...Vai ter... Vai ter. Vai.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Paulicéia ou Porandubas (pra falar de São Paulo)




É um novo tempo, é um novo rumo, é um novo caminho.
A grande São Paulo e suas contradições como inspiração.
Dificuldades, atrasos não planejados, percalços.
Acorda cedo. Chega longe. Hora de caminhar.
E o caminho é o trabalho.

Temos nos desbravado através do Texto Paulicéia Desvairada (também conhecida como Porandubas Populares) texto de Carlos de Queiroz Telles.
Escrito originalmente para quatro atores, nossa possível e futura montagem foi readaptada e pretende ser uma apresentação de cerca de quarenta minutos que possa ser encenada em qualquer lugar, no pátio de um colégio, em um teatro à italiana, ou em um palco arena (talvez quem sabe, em salas de aulas, em corredores, ou onde a banda deixar a gente passar). A encenação será para apenas três atores, e vamos ver no que vai dar.
(Mas vai).
Por um lado, um texto da década de 70 continua extremamente atual. Quando nos diz sobre o transito, os suicídios, os atropelamentos, as propagandas, as superficialidades, a globalização, o mercado, a compra e a venda de tudo que é vendável ou pode vir a ser. Já por outro, não podemos ignorar a evolução das problemáticas do texto. O transito cresceu, o buraco que viria a ser o metro da Sé hoje se multiplica em milhares de buracos quase a transformar nossa cidade em um grande queijo suíço.
Tudo é relevante, mas o discurso se atualiza na vida, e pretende se atualizar na nossa possível, provável e futura mensagem.
O que nos vai ficar de Carlos Queiroz Telles? Toda a sua irreverência, sua habilidade, e esse grande texto maravilhoso, irônico, cruel e fantástico. Com nosso toque simpático:
Uma simpatia de café e chá, de sistema nervoso, de gostar de você, de sorriso falso, muitos sorrisos dessa multidão midiática de moldar ideologias para o consumo.
E tudo isto esta lá. No texto, na cidade, na vida e na gente. No metro e no trem para ir de São Paulo à São Caetano, de Poá à São Caetano, de Guarulhos à São Caetano.
Nosso muito obrigado à Fundação das Artes por nos ceder um espacinho para ensaiar e ao Mestre Warde Marx.
Ah, e a Mestra Ana Wuo que nos aguarde, logo estaremos de volta.

E tudo isso é só um pouco. (Mas chega que eu sempre escrevo de mais quando não estou fazendo planilhas).