Pra buscar algum porquê de fazer teatro, por que ficar sem o fazer não tem por que, nem da, nem seria possível evitar. Pra rir e pra chorar, para chorar de rir e rir por não poder mais chorar. Tente, tente, tente e uma hora sai. E assim vai, e assim vai. Às vezes cai, mas mesmo assim vai. E se é teatro, esperamos que seja, que seja música. Poesia, prosa, e um tanto de qüiproquó. Mas que depois do balacobaco, fica um tanto brechtiano, e no final a Mãe Coragem tira os pães do forno e está pronto. É hora da ceia, do recheio, do centeio do pão. De dividir o gole do gole de uma gota de um pouco do que a gente viu. E descobriu e quer contar. Gole de vinho sem álcool, porque Dionísio nos fez descer do salto. Se vão rir ou chorar, a gente já viu, já sentiu e quer mais. E no final (do ponto do ônibus) a gente pega o caminho mais longo só pra conversar... E a gente fala, e como fala. Arte do ator, arte da palavra à toa. Mas numa boa, é fim, finito, Zé fini, o Zé feito Severinos como outros na vida, pelos quais a gente grita, e grita, e grita (e quando sobra prosa no encalço, canta). É hora da janta e não tem bóia. Mas uma hora vai ter. Vocês vão ver...Vai ter... Vai ter. Vai.



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Primeiro Convite

Em um diálogo entre o texto “Ralé” escrito em 1901 por Máximo Gorki, e músicas do universo de Adoniran Barbosa trazemos à cena algumas vidas, pessoas que vivem à margem da sociedade, ou no fundo (como sugere o título no original) aglomeradas em um albergue, o que no Brasil poderíamos chamar de cortiço, entregando-se a sonhos, álcool e lembranças para sobreviver. Sempre colocando em cheque suas histórias de vida revelando nesta estrutura as realidades de opressor e oprimido, de individuo e fruto do meio, entre as reais tentativas de mudança e as utopias alimentadas. Com Ralé, queremos expor uma realidade social a partir da humanidade de cada uma dessas vidas e indagar: “E essa gente aí, como é que faz?”

Local:
Universidade São Judas Tadeu.
Rua Taquari, nº 546 - Mooca
Sala T 01 A
Novembro
Sábados: 01 e 08 às 11h00Dias: 04 05 06 11 12 e 13 às 21h00




TCC dos alunos de Artes Cênicas
Universidade São Judas Tadeu

terça-feira, 29 de julho de 2008

O que dizer com essa peça

Por Eliani Hypolito

Nós, da Cia. Simpáticos, após algumas reflexões e discussões sobre o que queremos, realmente e em conjunto dizer com esse texto, sob qual ponto de vista queremos por em cena essa obra do Górki. Queremos lidar, primordialmente com as questões humanas, sociais e políticas, a partir da trajetória de cada uma daquelas personagens que queremos mostrar, suas motivações pessoais, e o que, externamente os leva àquela situação.

Dá pra perceber que não é um trabalho nada fácil, ne? Mas nutridos pelas nossas pesquisas, motivados pelas nossas vontades e orientados pelos nossos professores vamos erguer as mangas e continuar a trilhar esse caminho, não menos complicado do que prazeroso.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No caminho do pote de ouro.

Por Carolina Mancini.

Muito me é agradável escrever e inaugurar este blog neste momento.
Pois dois são os motivos, o primeiro é que minha intenção não é só a de criar um diário aberto para os nossos registros, como também um meio de divulgar, desde já, nosso trabalho.
O segundo, é que está data se torna especial diante o nosso retorno cheio de luz e animo.
Depois de termos ancorado nosso barco por determinado período (férias bem merecidas), estamos de volta com muita garra e vontade de nos apaixonar, de nos apaixonar cada vez mais pelo nosso grupo e pelo nosso trabalho, onde trocamos impressões, ambições, desejos mútuos, opiniões e sonhos.
Pois aprendemos que teatro se faz em grupo, assim como também aprendemos que um coletivo forte não é feito com a anulação das características pontiagudas de cada um, e sim com a soma das diferenças, e sempre enxergando no outro as possibilidades de crescer, de aprender, de somar cada pequena migalha de pão e alimentar esse monstruoso e faminto projeto.
Como diria Goethe “Nada supera o valor de um dia” e assim estamos caminhando, às vezes aparentemente nossas conversas processuais, tomam veredas de Brecht, e às vezes até mesmo um pouco surreal e dada, mas nós temos cada vez mais o controle do leme, mas um controle que não impede que o vento na vela nos mostre os caminhos. Sendo guiados pelas estrelas, mas sempre com os olhos no horizonte a ser alcançado.
Não estamos nem tanto a esquerda e nem tanto à direita (principalmente) estamos procurando um equilíbrio, onde sabemos que a comédia é tão importante quanto o drama, e, caminhar entre o caos e a disciplina, é sempre o meio de criação mais proveitoso. Mas muito, muito ao mar, cada vez mais acreditando em nossa bussola intuitiva, e que nosso coletivo é forte o suficiente para agüentar qualquer tempestade.

Quanto ao texto: Realmente cada vez mais acredito que não há presente melhor do que um bom desafio a ser superado, e Ralé de Gorki é isto, um grande desafio, mas cheio de possibilidades e caminhos, por onde estamos crescendo, mudando, evoluindo e nos descobrindo não só como atores, mas como encenadores, figurinistas, iluminadores, cenógrafos e etc., mas principalmente como pessoas, porque é isto que o texto faz conosco, ele nos faz olhar para nós como pessoas, como indivíduos, como coletivo, como massa, como fruto de um contexto histórico, e como atores nos faz perguntar: “O que queremos dizer com esse texto” e, além disso, “O que eu tenho a dizer como ator/atriz?”.
Não, ainda não temos as respostas, mas o caminho e a busca são tão valiosos como o pote de ouro no fim do arco-íris.


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Companhia Simpáticos (no ano de sua fundação)
Por Warde Marx

Eu confesso, mis hermanos:
No teatro há tantos anos,
Encontrei todo tipo de gente
Anjo-demônio e fada-duende.

Inteligentes e indigentes,
Competentes e combatentes,
Urgentes e não-gentes.

Cansados e eletrificados,
Animados e inanimados,
Angélicos e endiabrados.

Secos e melosos,
Maravilhosos e enganosos,
Gracinhas e sebosos.

Amadores e profissionais,
Geniais e boçais,
Uiuiuis e aiaiais.

Ai, meu Dionísio!
Temi perder o juízo.
Salvou-me da morte
Um dia ter a sorte
De poder dizer,
Até fazer-me entender:
Nada de beócios, lunáticos, asmáticos,
Neuróticos, geriátricos, bombásticos,
Irônicos, carismáticos, sarcásticos.

Tudo o que eu precisava
Era conhecer os Simpáticos.


(junho de 2007)