Pra buscar algum porquê de fazer teatro, por que ficar sem o fazer não tem por que, nem da, nem seria possível evitar. Pra rir e pra chorar, para chorar de rir e rir por não poder mais chorar. Tente, tente, tente e uma hora sai. E assim vai, e assim vai. Às vezes cai, mas mesmo assim vai. E se é teatro, esperamos que seja, que seja música. Poesia, prosa, e um tanto de qüiproquó. Mas que depois do balacobaco, fica um tanto brechtiano, e no final a Mãe Coragem tira os pães do forno e está pronto. É hora da ceia, do recheio, do centeio do pão. De dividir o gole do gole de uma gota de um pouco do que a gente viu. E descobriu e quer contar. Gole de vinho sem álcool, porque Dionísio nos fez descer do salto. Se vão rir ou chorar, a gente já viu, já sentiu e quer mais. E no final (do ponto do ônibus) a gente pega o caminho mais longo só pra conversar... E a gente fala, e como fala. Arte do ator, arte da palavra à toa. Mas numa boa, é fim, finito, Zé fini, o Zé feito Severinos como outros na vida, pelos quais a gente grita, e grita, e grita (e quando sobra prosa no encalço, canta). É hora da janta e não tem bóia. Mas uma hora vai ter. Vocês vão ver...Vai ter... Vai ter. Vai.



quarta-feira, 9 de julho de 2008

Companhia Simpáticos (no ano de sua fundação)
Por Warde Marx

Eu confesso, mis hermanos:
No teatro há tantos anos,
Encontrei todo tipo de gente
Anjo-demônio e fada-duende.

Inteligentes e indigentes,
Competentes e combatentes,
Urgentes e não-gentes.

Cansados e eletrificados,
Animados e inanimados,
Angélicos e endiabrados.

Secos e melosos,
Maravilhosos e enganosos,
Gracinhas e sebosos.

Amadores e profissionais,
Geniais e boçais,
Uiuiuis e aiaiais.

Ai, meu Dionísio!
Temi perder o juízo.
Salvou-me da morte
Um dia ter a sorte
De poder dizer,
Até fazer-me entender:
Nada de beócios, lunáticos, asmáticos,
Neuróticos, geriátricos, bombásticos,
Irônicos, carismáticos, sarcásticos.

Tudo o que eu precisava
Era conhecer os Simpáticos.


(junho de 2007)