Pra buscar algum porquê de fazer teatro, por que ficar sem o fazer não tem por que, nem da, nem seria possível evitar. Pra rir e pra chorar, para chorar de rir e rir por não poder mais chorar. Tente, tente, tente e uma hora sai. E assim vai, e assim vai. Às vezes cai, mas mesmo assim vai. E se é teatro, esperamos que seja, que seja música. Poesia, prosa, e um tanto de qüiproquó. Mas que depois do balacobaco, fica um tanto brechtiano, e no final a Mãe Coragem tira os pães do forno e está pronto. É hora da ceia, do recheio, do centeio do pão. De dividir o gole do gole de uma gota de um pouco do que a gente viu. E descobriu e quer contar. Gole de vinho sem álcool, porque Dionísio nos fez descer do salto. Se vão rir ou chorar, a gente já viu, já sentiu e quer mais. E no final (do ponto do ônibus) a gente pega o caminho mais longo só pra conversar... E a gente fala, e como fala. Arte do ator, arte da palavra à toa. Mas numa boa, é fim, finito, Zé fini, o Zé feito Severinos como outros na vida, pelos quais a gente grita, e grita, e grita (e quando sobra prosa no encalço, canta). É hora da janta e não tem bóia. Mas uma hora vai ter. Vocês vão ver...Vai ter... Vai ter. Vai.



Somos Nós


Em 2007 a turma do segundo ano de artes cênicas da faculdade São Judas Tadeu, desenvolveu alguns trabalhos em aulas de expressão corporal e encenação com, respectivamente, os professores Ana Elvira Wuo e Warde Marx. Essa série de trabalhos desenvolvidos foram os primeiros do grupo que se intitulou: Cia Simpáticos.
No ano de 2008, oito dos integrantes deste grupo permaneceram juntos para a montagem de seu trabalho de conclusão de curso, TCC, que teve como tema a peça Ralé de Maximo Gorki.
Após a profissionalização desses atores, em 2009, a Cia Simpáticos, optou por continuar o trabalho desenvolvido durante o TCC devido seu ganho estético, mas principalmente, devido o cunho social dessa montagem. No mesmo ano também foram feitas duas substituições, sendo então formado o grupo de atores que segue até o momento. Os primeiros ensaios desse ano tiveram como sede a ONG Keralux, localizada no Jardim Keralux em São Paulo e posteriormente no CÉU Rosa da China, que fica no Bairro de São Mateus, também em São Paulo. A temática da peça levou a companhia a escolher como local para apresentação o “Espaço Luz do Faroeste” por importantes motivos. O espaço localiza-se em uma parte desvalorizada do centro de São Paulo extremamente perto da cracolândia, onde há a presente desvalorização e abandono dos cidadãos por parte do Estado, como também por ser uma casa de espetáculos que tem como base fundamental o “pague quanto puder” na venda de ingressos permitindo que qualquer pessoa possa assistir e desfrutar de um espetáculo.
Essas escolhas de sedes de ensaio e local de apresentação foram feitas para que o ambiente dialogasse diretamente com nossa visão diante a nossa montagem deste texto hoje, lidando com a desapropriação (seja da grande e constante luta dos moradores do Jardim Keralux que podem a qualquer momento ser expulsos de suas casas devido a problemas jurídicos de ocupação, seja pela realocação dos usuários de droga na tentativa mascarado do embelezamento do centro velho de São Paulo que continua a colocar o ser-humano em uma esfera inferior nos níveis de interesse da força econômica estatal), como o ideal de fazer um teatro de qualidade que fala sobre questões dessa classe marginalizada e excluída das cadeias sociais, e justamente para essa classe, de forma que possamos nos ver, nos identificar, pensar sobre a nossa situação para a partir daí modificar. Sendo isso, para a companhia, não só um bem fazer como um direito inerente.
Tivemos como apoio para esse trabalho a professora Ana Elvira Wuo que dividiu essa re-construção de trabalho conosco, como preparadora corporal e encenadora.
No ano de 2010 a companhia optou por experimentar outro tipo de trabalho, com uma linha poética contrária a anteriormente adotada, que sai do drama para à sátira e farsa, porém tendo como força motivadora o mesmo pensar a respeito da sociedade, a crítica, o desenvolvimento do discernimento e do raciocínio e a busca da afirmação de uma classe oprimida. O experimento foi feito em cima do texto “Paulicéia Desvairada” de Carlos Queiroz Telles. O local de ensaio desse trabalho foi a Fundação das Artes de São Caetano onde pudemos contar com o auxilio do professor Warde Marx como encenador e crítico direto desse trabalho. Porém, para a apresentação do experimento achamos importante voltar para as nossas bases e a mostra aconteceu no Núcleo Teatral Opereta em Poá, o Opereta na verdade é um ponto de cultura onde se desenvolvem oficinas e trabalha-se diretamente com a comunidade local.
Atualmente, a Cia. Simpáticos tem retomado estudos sobre a peça Ralé, que caminham em uma mais adequada adaptação do texto e sobre as comparações possíveis entre o universo em que a peça fora escrito e os dias de hoje para que esse trabalho possa ser retomado e que leve dentro dele nossas aspirações enquanto atores como artistas responsáveis pelo meio social.


2007
- Participação do Simpósio Multidisciplinar com a montagem “Corpos de Cor”.
Cenas construídas a partir de jogos de expressão corporal.
Local: Universidade São Judas Tadeu. São Paulo- SP

- Histórias do teatro. Encenação de cenas de cinco peças que são marcos do teatro.
As troianas – Sartre
Macbeth – Shakespeare
Vôo sobre o oceano – B. Brecht
Fim de Partida – Samuel Becket
Rasga coração - Oduvaldo Vianna Filho
Local: Universidade São Judas Tadeu. São Paulo. SP

- “Navio Negreiro” – encenação cheia de romantismo e força.
Baseada no poema de mesmo nome de Castro Alves.
Local: Universidade São Judas Tadeu. São Paulo- SP

2008
- Ralé de Máximo Gorki (texto adaptado).
Local: Universidade São Judas Tadeu. – São Paulo. SP

2009
- Ralé de Máximo Gorki (texto adaptado).
Local: Espaço Luz do Faroeste. – São Paulo. SP

2010
- Experimento segundo “Paulicéia Desvairada” de Carlos Queiroz Telles.
Loca: Núcleo Teatral Opereta – Poá. SP


Integrantes:
Antonia Mattos
Carolina Mancini
Dílson Rufino
Edna Chinem
Fernanda Fernandes
Luciana Paulino
Nádia Hegeto
Roseane Soares

Apoiadores freqüentes:
Professora e Mestre: Ana Elvira Wuo
Professor e Mestre: Warde Marx